blog_img1

Vacina da Gripe: por que tomar?

A gripe é uma doença respiratória infecciosa cujo agente etiológico é o vírus Myxovirus Influenzae, também denominado Influenza. Ele subdivide-se em três tipos: A, B e C, sendo que o último não apresenta relevância clínica em humanos. Os tipos A e B sofrem mutações constantes e são os responsáveis pelas epidemias sazonais, principalmente durante o inverno. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o vírus da gripe causa entre 3 a 5 milhões de casos graves e 250.000 a 500.000 mortes todos os anos em todo mundo. No Brasil, é um sério problema de saúde pública. 

O vírus é transmitido mediante contato com secreções das vias respiratórias de uma pessoa contaminada. A transmissão pode ser direta, ao falar, tossir ou espirrar; ou indireta, através das mãos ou objetos contaminados quando em contato com mucosas (boca, olhos, nariz). Em locais com grande circulação e aglomeração de pessoas, como creches e escolas, a incidência de transmissão é bem elevada. Com a queda das temperaturas, o problema se agrava ainda mais, pois as pessoas costumam deixar os ambientes fechados e sem nenhuma ventilação, aumentando consideravelmente o risco de pegar a doença.  

Os sintomas da gripe, comumente, são: febre, dor de cabeça, dores musculares (mialgia), tosse, dor de garganta e fadiga. A maioria das pessoas infectadas consegue se recuperar dentro de uma a duas semanas sem a necessidade de tratamento médico. No entanto, idosos acima de 65 anos de idade, crianças e portadores de doenças crônicas, por exemplo, apresentam risco elevado para complicações desencadeadas pelo vírus. Podem ocorrer agravamentos de crises de asma e bronquite, riscos de infarto agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral, miocardite, pericardite, miosite, rabdomiólise e diversas manifestações neurológicas, como convulsão, encefalite e síndrome de Guillain Barré.  

A pneumonia, tanto primária quanto secundária, é a complicação mais comum e frequente da Influenza, podendo levar à hospitalização e à óbito. A primária é causada pelo próprio vírus e a secundária, neste caso, ocorre quando a imunidade do paciente está baixa, bactérias se instalam no pulmão e uma superinfecção bacteriana é desencadeada.  

Como podemos verificar, a gripe possui uma incidência muito alta e as complicações podem ser perigosas. Para tanto, a vacinação é considerada a principal intervenção preventiva. Desde 1999, são realizadas campanhas anuais, entre os meses de abril e maio, promovidas pelo Ministério da Saúde. As vacinas são oferecidas gratuitamente e são destinadas às pessoas inclusas nas categorias de risco a seguir: 

 

  • Crianças de 6 meses a 6 anos incompletos (5 anos, 11 meses e 29 dias); 
  • Gestantes;  
  • Mulheres que deram à luz nos últimos 45 dias; 
  • Pessoas com mais de 60 anos; 
  • Profissionais de saúde,  
  • Professores da rede pública e privada; 
  • Portadores de doenças crônicas (como diabetes, asma, HIV, artrite reumatoide e outras) que fazem acompanhamento pelo SUS; 
  • Povos indígenas; 
  • Pessoas privadas de liberdade; 
  • Indivíduos imunossuprimidos, como pacientes com câncer que fazem quimioterapia e radioterapia; 
  • Portadores de trissomias, como as síndromes de Down e de Klinefelter; 
  • Adolescentes internados em instituições socioeducativas. 

 

As campanhas de vacinação vêm trazendo resultados importantes para a redução das internações hospitalares, gastos com medicamentos para tratamento de infecções secundárias e mortes evitáveis. Qualquer pessoa pode tomar a vacina, porém quem não faz parte dos grupos de risco pode ser vacinado em rede privada por cerca de R$ 100 a R$ 200. Pessoas alérgicas a algum componente da vacina, como a clara de ovos, são as únicas contraindicadas à vacinação. 

 No Brasil, o Instituto Butantã, ligado à Secretaria de Saúde de São Paulo, foi o responsável pelo desenvolvimento das vacinas contra a Influenza. Ela é composta por cepas do vírus (fragmentada e inativada) e é trivalente, isto é, compreende os três tipos de vírus mais frequentes: H1N1, H3N2 e Influenza B. A tetravalente, vendida em hospitais e clínicas privadas, possui duas cepas de Influenza A e duas de Influenza B. Os dois tipos da vacina combatem os vírus mais importantes, o Influenza e o H1N1.  

Os anticorpos começam a ser produzidos entre 2 a 3 semanas após a vacinação. Até este período, é possível que alguém contraia a gripe e, por isso, alguns acreditam, erroneamente, que a vacina é a causadora do problema. Estudos demonstram que a vacinação pode reduzir entre 32% a 45% o número de hospitalizações por pneumonias, e de 39% a 75% a mortalidade global. Entre idosos que vivem em casas de repouso, pode reduzir o risco de pneumonia em aproximadamente 60%, e o risco global de hospitalização e morte, em cerca de 50% a 68%, respectivamente.  

A vacina da gripe deve ser recebida ano a ano, tendo em vista a mutação constante do vírus. Da mesma forma, é observada uma queda gradual da quantidade de anticorpos protetores após um ano da vacinação. É importante ressaltar que gripe é diferente de resfriado. O vírus causador da gripe, como já mencionado, são do gênero Influenza e o resfriado é causado por diferentes vírus, como Rinovírus, Adenovírus, Parainfluenza e outros. Além disso, os sintomas do resfriado são mais brandos e duram menos tempo. 

Em suma, a gripe é facilmente transmissível e pode causar muitos problemas graves de saúde no Brasil. A vacinação é a melhor e mais eficaz forma de prevenção e, portanto, é importante que a população seja vacinada.