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Apneia Obstrutiva do Sono

O sono é fundamental para qualidade de vida. Dormir bem contribui para a manutenção do equilíbrio geral do organismo, melhora o metabolismo, consolida a memória, atua na regulação da temperatura corporal, restaura os níveis de energia do corpo e previne doenças crônicas. No entanto, nem todas as pessoas conseguem ter boas noites de sono. Existem distúrbios respiratórios relacionados ao sono que prejudicam consideravelmente o repouso. Alguns deles são: Síndrome da Apneia Central do Sono (SACS), Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS), Síndromes de Hipoventilação/Hipóxia relacionadas ao sono e Síndromes de Hipoventilação/Hipóxia relacionadas ao sono devido a condições médicas. 

A Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS) é um distúrbio caracterizado por paralisações respiratórias momentâneas durante o sono, associadas a sinais e sintomas clínicos. O aumento do esforço respiratório devido à limitação, à redução (hipopneia) ou à obstrução completa (apneia) das vias aéreas resulta em roncos e em microdespertares durante o sono. Com o fluxo de ar insuficiente, pode ocorrer a dessaturação da oxihemoglobina – queda dos níveis de oxigênio no sangue – e, ocasionalmente, a hipercapnia, isto é, o aumento do gás carbônico no sangue arterial. Deste modo, a SAOS causa sonolência e cansaço durante o dia, dores de cabeça, dificuldade de concentração, impotência e irritabilidade. A longo prazo, pode provocar doenças cardiovasculares, neuropsicológicas e problemas sociais, tendo em vista o desconforto e o constrangimento causado pelo ronco. Além disso, favorece o acúmulo de gordura abdominal e resistência à insulina, contribuindo assim para o surgimento de diabetes tipo 2.  

De acordo com dados do Ministério da Saúde, cerca de 30% dos brasileiros adultos sofrem de apneia do sono. A SAOS, no entanto, pode ocorrer em qualquer faixa etária, sendo que pessoas com idade entre os 40 e 50 anos são mais predispostas. Em crianças, o problema pode estar relacionado ao aumento das adenoides, isto é, as glândulas localizadas no nariz, ou das amígdalas, estruturas situadas na entrada da faringe. A obesidade é o principal fator de risco para a síndrome, visto que 2/3 dos pacientes são obesos. Os homens são mais propensos a desenvolver o distúrbio e as mulheres têm o risco ampliado se estiverem acima do peso ou após a menopausa.  

Alguns fatores de risco são: a) circunferência mais grossa do pescoço; b)  anormalidades craniofaciais, como a hipoplasia maxilomandibular (falta de desenvolvimento dos ossos do maxilar superior); c) aumento do tecido mole e do tecido linfoide da faringe; d) obstrução nasal; e) anormalidades endócrinas, como o hipotireoidismo; f) acromegalia, doença causada pela produção excessiva do hormônio do crescimento; g) histórico familiar; h) consumo excessivo de álcool; i) tabagismo; j) macroglossia, isto é, o crescimento anormal da língua; k) hipertrofia das amígdalas. 

O primeiro diagnóstico é clínico e feito através da anamnese. Uma vez realizada a suspeita clínica, o estudo e a análise da gravidade da SAOS são feitos a partir de um exame chamado polissonografia. Ele é produzido em um laboratório do sono de um hospital ou clínica especializada e realizado durante uma noite de sono. Com a ajuda de um aparelho ligado ao paciente, são monitorados os batimentos cardíacos, a atividade cerebral, os movimentos oculares e tóraco-abdominais, o fluxo aéreo, o tônus da musculatura submentual e o nível de oxigênio no sangue, a fim de identificar a quantidade e a qualidade de sono do indivíduo. Este acompanhamento também pode ser feito com um dispositivo portátil. Colocado na hora de dormir e preso ao pulso em dois dedos da mão, ele assinala as conjunturas do sono. O aparelho deverá ser levado ao médico para que a análise seja feita. Com os dados obtidos, o médico poderá examinar o número total de apneias e hipopneias por hora de sono, sua média de tempo e a saturação mínima de oxigênio arterial.  

O tratamento da apneia obstrutiva do sono pode ser dividido em três categorias: comportamental, clínico e cirúrgico. Adotar um estilo de vida saudável e ativo, com uma alimentação equilibrada e atividades físicas regulares, ajuda a tratar o distúrbio. Vale ressaltar que os roncos podem sinalizar apneia do sono, no entanto nem todas as pessoas que roncam sofrem de tal distúrbio. O médico deverá ser consultado, principalmente se o ronco for seguido por períodos de silêncio. Otorrinolaringologistas, neurologistas e pneumologistas são alguns dos especialistas que podem diagnosticar a SAOS. 

A terapia clínica pode ser realizada por meio de medicamentos que estimulam as vias respiratórias, como a protriptilina e progestágenosDiferentes aparelhos também podem ser utilizados para auxiliar o tratamento, dentre eles o CPAP. A máscara para pressão positiva contínua na via aérea, semelhante a uma máscara de oxigênio, possui um gerador de alto fluxo que envia uma corrente contínua de ar ambiente pelo nariz e boca, visando a abertura das vias respiratórias. O CPAP é bastante utilizado, mas nem todos os pacientes se adaptam. Alguns relatam certo desconforto, congestão nasal, claustrofobia e incômodo pelo ruído do aparelho. No entanto, para que o tratamento seja eficaz, o aparelho deve ser usado regularmente. Outros mecanismos podem ser utilizados, como os dispositivos intra-orais para sucção da língua e os aparelhos ortodônticos para pacientes com retrognatia. 

O tratamento cirúrgico é realizado em pacientes que não respondem bem aos outros recursos ou que necessitam de correções anatômicas. Podem ser feitas traqueotomias em casos de obesidade mórbida, correção de anomalias nasais (como a septoplastia), uvulopalatofaringoplastialinguoplastia, correção de deformidades na mandíbula ou colocação de implantes. 

 

Referências: 

https://www.tuasaude.com/apneia-do-sono/ 

https://saude.abril.com.br/medicina/apneia-do-sono-o-que-e-como-tratar-e-como-prevenir/ 

http://www.scielo.br/pdf/ramb/v45n3/1660.pdf 

http://www.scielo.br/pdf/dpjo/v16n1/07.pdf 

http://departamentos.cardiol.br/dha/revista/16-3/05-conceitos.pdf 

https://www.minhavida.com.br/saude/temas/apneia-do-sono